
O exercício físico nunca esteve tanto na moda e a corrida, por ser uma actividade simples e acessível a todos, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Uns mais habituados à prática desportiva, outros que nunca tinham praticado exercício antes.
Acabei recentemente a leitura de “Running – muito mais do que correr”, um livro de José Soares publicado este ano pela Porto Editora. Tenho aplicado vários dos seus princípios e conselhos na minha prática desportiva, pelo que sugiro vivamente a sua leitura. Lê-se facilmente, a linguagem é simples e clara.
Este livro é um manual completo para quem quer começar a correr, mas também para quem corre regularmente e quer melhorar o seu rendimento, alimentar-se como um atleta ou mesmo evitar lesões.
Ao abordar questões como motivação, alimentação, suplementos, planos de treino para diferentes distâncias e prevenção de lesões, revela-se um guia essencial porque running é muito mais do que correr.

- Quando a Porto Editora lhe lançou este desafio de escrever Running – muito mais do que correr, o que sentiu?
Um enorme desafio porque não sou um expert em running. Sou professor de fisiologia, que gosta de corrida, que percebe a relação entre o exercício e a saúde. Nada mais do que isso. Neste sentido, decidi usar a corruda como um meio e não como um fim. Por isso o livro é “Running: muito mais do que correr”… Ou seja, aborda outros aspectos que vão muito para além da corrida propriamente dita. Nutrição, prevenção de lesões, exames médicos indispensáveis, limitações, etc.
- Correr é gratuito e praticado ao ar livre. Sente que essas são vantagens para quem quer começar um desporto?
Penso que sim. Essa é a grande razão. Depois também o facto de ser de prática muito fácil e sem equipamento especial torna a corrida muito apetecível.
- Running será uma questão de moda passageira? Ou veio para ficar?
Penso que está na moda, mas presumo que vai ficar. As pessoas perceberam que mais risco do que correr é não correr. É não se mexer. Com as nossas vidas cada vez mais stressantes e sedentárias, a corrida passa a ser um excelente plano B de fácil execução…
- Foi uma surpresa agradável os destaques dos media? E o livro estar no top das principais livrarias?
Sim. Fiquei surpreendido pelo impacto que teve. Penso que existem algumas razões. O facto de estar escrito com uma linguagem muito simples, de usar muitos exemplos práticos e de usar o modelo da pergunta resposta, torna a sua leitura muito fácil. Por outro lado, reúne no mesmo livro diferentes tópicos que, normalmente, aparecem distribuídos por obras diferentes. Ou seja, reúne informação de fácil leitura e aplicação no dia-a-dia de quem corre.
- Há muitos aspectos que o livro explora além do acto simples de correr. É importante uma pessoa pesar todas as questões que o livro levanta, não é?
Claro que sim. Por exemplo, o primeiro capítulo aborda a questão dos exames médicos prévios. Mas sempre relevando o facto de que maior risco do que correr, é não correr. É estar parado! Dei uma importância muito particular também à questão da prevenção de lesões algo que preocupa muito quem corre, especialmente os que o fazem de uma forma mais intensa.
- Comecei a correr ainda antes do livro ser lançado e a sua leitura ajudou-me. Que conselho me daria, tendo em conta que passei alguns anos sem praticar nada, tive asma e estava com excesso de peso?
Um conselho baseado num ditado: “ A dose faz o veneno”. Pouco é muito pouco, muito é exagero…
Fotos: DR