Ester Alves a 40 dias de desafiar a mítica Marathon des Sables (entrevista)

Autor: Miguel Marote Henriques    Data: 28-02-2017
Publicado em: Desporto, Entrevistas
ester-alves0235 anos, natural do Porto, formada em Biologia, Ester Alves concilia treinos e provas ao mais alto nível com a tese de doutoramento.

Em apenas cinco anos, a atleta da Salomon Suunto Portugal, tornou-se uma referência do trail-running nacional e internacional, tendo representado Portugal nos campeonatos do mundo de 2015 e 2016. No seu currículo incluem-se o 8ª lugar no Ultra Trail do Monte Branco e no Ultra Trail World Tour em 2014, a 6ª posição na Transgrancanária 2015, o 1º lugar do pódio na The Coastal Challenge 2016 e na Marathon Sierra Nevada 2016 e o recente 3º lugar na The Coastal Challenge 2017.

A 40 dias da partida para a Marathon Des Sables, que apelida como a mais “mítica, incrível e competitiva prova de etapas no deserto”, Ester Alves falou com a Excelência Portugal.

 

- Como chegas ao trail-running depois do remo e ciclismo? O que te atraiu?
Remei até 2008, integrei o programa Olímpico pela seleção de remo e depois disso descobri o ciclismo. Estive 3 anos numa equipa UCI  espanhola de ciclismo. Tive de deixar o projecto, porque fui admitida a doutoramento e não tinha disponibilidade para treinar 4-5 horas por dia de bicicleta. Já corria na pré época maratonas e, por convite de um amigo, decidi experimentar o trail. Fui ficando… e abandonando aos poucos a competição de ciclismo.

 

- Temos assistido a uma explosão da modalidade no nosso país. Que mudanças realças no panorama nacional, nestes cinco anos?
Surgiram imensas provas. Sobrevivem as que têm qualidade. As restantes, acabam por morrer. Acima de tudo, as organizações têm de gostar de trail e não organizar eventos por dinheiro.

 

- O trail-running “está na moda”?
Está na moda por ser uma forma desafiante de praticar desporto…fugir para a serra, fazer desnível. Voltar à serra acaba por ser uma forma natural de fugir ao stress das cidades e da rotina.

 

- Consideras que se verificam excessos a nível de provas? Existe sensibilidade para a preservação da natureza?
Existe um excesso de provas, mas finalmente começa a haver regulamentação e maior controlo sobre as organizações e preservação dos trilhos.

 

- Depois de repetir a The Coastal Challenge, estás em contagem decrescente para a Marathon des Sables. Que importância tem para ti este desafio e quais são as tuas expectativas?
A MDS é uma das provas mais cobiçadas do mundo. Por ser em auto-suficiência (a travessia do Sahara) e por ser em etapas. O que me encanta é ser competitiva. O Coastal Challenge obrigou-me a correr sob 35 graus e foi competitivo, espero ter conseguido a bagagem para a MDS. Falta um mês e ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas sem dúvida estou motivadíssima.

 

- Estares integrada numa equipa da Salomon Suunto contribuiu para a tua evolução como atleta? Como é vista a equipa nacional pelas restantes equipas destas marcas?
A SALOMON SUUNTO é mais do que uma marca. É uma filosofia de vida e a equipa distingue-se porque levamos connosco a partilha e paixão pelo desafio e superação pessoal. As equipas e marcas que procuram apenas resultados tabelados acabam por desfalecer e morrer em pouco tempo. É uma honra fazer parte desta equipa. Agora em Portugal com Armando Teixeira, Romeu Gouveia e Miguel Reis. Todos partilhamos a paixão pela superação pessoal. É uma questão de atitude.

 

- O Gerês foi palco do último campeonato do mundo. Qual foi a sensação de correr em casa? 
Foi gratificante. A única pulseira que uso é a do Gerês, por levar comigo para todo o mundo Portugal. Representar o país foi sempre uma honra… um dever maior. Já o faço desde os 18 anos: representei as seleções de remo, ciclismo e trail… e vestir as cores do país é sempre uma imensa alegria e superação.

 

- Qual o desafio que mais te marcou até agora e porquê?
Talvez o UTMB. Por ser uma prova emblemática e a mais competitiva que conheci. O meu objectivo continua a ser baixar as 27 horas nos 168kms. E espero que em 2017 dê essa alegria a Portugal.

 

- E quais os desafios que ainda te faltam cumprir?
Este ano vou estar em Itália, nos campeonatos do Mundo de Trail. Quero, juntamente com o meu treinador, fazer um bom resultado e depois… baixar as 27 horas no UTMB.
Em 2018 gostaria de tentar um bom resultado na BADWATER e tentar o que conseguiu o Carlos Sá em 2015, no Death Valley.

 

Foto: DR

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