A passagem de Cristóvão Colombo por Santa Maria, entre 18 e 28 de fevereiro de 1493, serviu de mote para a criação de uma nova prova de trail açoriana, a Columbus Trail. Se a prova – com o “carimbo” da organização do Azores Trail Run – prometia, agora podemos dizer que cumpriu com Excelência.
Relatar três dias em Santa Maria não é fácil. Temos que começar pelo arquipélago em si, o que, para quem nunca tinha estado nos Açores, constitui uma experiência dentro da própria experiência.
Voar na SATA, companhia área oficial do evento, foi a primeira prova dos encantos açorianos. A hospitalidade e pequenos sabores do arquipélago, como a Kima, começam a conquistar ainda no ar.
Chegar a Santa Maria obriga a uma escala em Ponta Delgada (Ilha de São Miguel) e um voo de cerca de 18 minutos num Bombardier Q200 ou Q400. A menor altitude a que voamos, permite uma vista aérea deslumbrante, que nos faz observar detalhadamente os contornos recortados da ilha. O ambiente a bordo é de enorme familiaridade, sendo que muitos dos passageiros conhecem os membros da tripulação. Sentimo-nos em casa.
A hospitalidade mariense é comprovada logo no aeroporto. São cerca das 7 horas da manhã e dirijo-me ao balcão da SATA para levantar a bagagem que tinha vindo directa de Lisboa. Aproveito para perguntar como posso chegar ao Hotel Colombo. E a senhora que está ao meu lado interrompe dizendo: “O meu marido está a chegar e leva-o lá”. Santa Maria acabava de me conquistar.

Depois de instalado, a “aventura” começou com uma incursão pela Vila do Porto, sede do concelho de mesmo nome e a mais antiga vila açoriana. O concelho tem 5 freguesias (Almagreira, Santa Bárbara, Santo Espírito, São Pedro e Vila do Porto) e conta com uma população de aproximadamente 5 550 habitantes.
O programa do evento não era apenas desportivo. A organização liderada por Mário Leal, da Azores Trail Run, quis dar a conhecer a história da ilha aos atletas e restantes visitantes. No Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, inaugurado em 2009, e que alberga o espólio do naturalista que lhe dá o nome, pioneiro no estudo da diversidade geológica e biológica da ilha de Santa Maria, foi possível estabelecer contacto direto com borboletas e insectos dos Açores e do mundo, aves migratórias com rotas pela ilha, assim como conhecer o valioso património geológico que, em Santa Maria, pode ser observado: os fósseis marinhos. A visita terminou com a visualização de um documentário no auditório.
Antes da já habitual “pasta party” ao jantar (que caracteriza estas provas), ainda houve tempo para uma visita ao Forte de São Brás, construído entre finais do século XVI e inícios do século XVII, como protecção da costa contra ataques e pilhagens de piratas e corsários.

Sábado, seis da manhã, pequeno-almoço e pequena viagem de autocarro até ao Forte de São Brás. Aqui será dada a partida para a primeira edição deste Columbus Trail que contou já com a presença de 86 atletas de 6 países. A prestigiada equipa da Salomon Internacional abrilhantou a prova com 6 dos seus elementos.
Esta prova contou com o contributo de muitos marienses e especialmente dos membros do Grande Trilho de Santa Maria. Este projecto que começou como uma iniciativa de um grupo de amigos, tornou-se na primeira GRANDE ROTA circular dos Açores, homologada de acordo com os critérios internacionais de pedestrianismo.
O Columbus Trail conta com duas distâncias: Columbus Trail (77km) e Columbus Marathon Trail (42km). A prova longa tem um desnível positivo de 3400 metros, sendo o ponto mais elevado atingido à cota de 587 metros, e o ponto de cota mais baixa situado à cota zero. A prova de 42km tem um desnível positivo de 2000 metros.

Mário Leal, qual Capitão no Forte de São Brás, dá o sinal de partida e os atletas descem para a Ribeira de São Francisco, intrometendo-se pelos trilhos que os levarão a passar na Praia Formosa. O percurso de ambas as provas será igual até à meta dos 42km, em Santa Bárbara.
A prova circular passa por zonas balneares, caminhos rurais, zonas agrícolas, piscinas naturais, caminhos de calçada e terra e miradouros como o do Espigão, com uma vista imponente sobre a Baía de São Lourenço. Os atletas puderam testar subidas bem duras, nomeadamente na zona da Maia e de São Lourenço.

Outros pontos de referência são a passagem por um caminho, do qual se vislumbra a cascata de Cai’Água e o Pico Alto, ponto mais alto da ilha com 587 metros de altitude e rico em vegetação endémica. Numa ilha de origem vulcânica, não se pode deixar de passar por uma caldeira. Esta parte do percurso atravessa uma área florestal onde se encontra um marco geodésico com vista privilegiada sobre a freguesia de São Pedro.
A parte final da prova grande é feita contornando a encosta, onde é possível avistar o porto comercial e o centro da Vila. O caminho de terra continua, sendo interrompido pela estrada de acesso à zona industrial, prosseguindo em direcção ao centro histórico da Vila.
Os voluntários e restante população envolveram-se de uma forma tão entusiástica, que cada concorrente se sentiu único. Podemos afirmar que toda a ilha abraçou a prova, tornado-a inesquecível. Os marienses sabem acolher como ninguém.
Os que não pretendiam alcançar notáveis marcas, deram-se ao luxo de apreciar mais pausadamente as paisagens de cortar a respiração. Quase todos conseguiram registar estes cenários idílicos em fotografia ou vídeo. As redes sociais rapidamente começaram a ser inundadas com alguns destes testemunhos multimédia.

Ambas as metas foram cruzadas em primeiro lugar por atletas da Salomon: Tom Owens realizou os 42km em 3h32m51s e Tom Wagner cumpriu os 77 kms em 7h37m36s. As duas metas foram animadas entusiasticamente pelo speaker “oficial” da Azores Trail Run, César Lima, com quem aguardei estoicamente a chegada do último atleta da prova mais longa. Artur Alves completou os 77 kms em 14h30m19s. Seguiu-se então o porco no espeto e a cerveja.
Depois de um animado convívio no Forte de São Brás, a festa continuaria no almoço de domingo. A cerimónia de entrega de prémios contou com a presença de várias entidades, entre as quais o Secretário Regional do Turismo e Transportes, Engenheiro Vítor Fraga.
Nesta cerimónia foram distinguidos os atletas das várias categorias em competição, que incluíram os melhores atletas regionais. A participação açoriana regista uma tendência crescente e estas distinções constituem um forte incentivo à mesma.

Se em Maio do ano passado me apaixonei pelo Faial, agora em Fevereiro foi por Santa Maria. O percurso é de uma beleza extrema, tanto em termos de natureza intocada e ainda pela beleza humana, pois os Marienses receberam os atletas de braços abertos de forma genuína. A organização, como já era de esperar, das melhores de Portugal! Açores, obrigada e até breve!
– Bo Irik, atleta da equipa Correr na Cidade
O director da prova, Mário Leal, agradeceu a presença de todos os atletas, bem como todos os que trabalharam na sua organização. Para Mário Leal, o “Columbus Trail na ilha de Santa Maria veio demonstrar que a natureza das ilhas dos Açores deve ser vivenciada e é capaz de proporcionar experiências inesquecíveis. O Trail Running é uma actividade que se enquadra na perfeição no desenvolvimento de um turismo sustentável”.
Na sua intervenção, Vítor Fraga afirmou que o Trail Run é “uma actividade que está claramente ligada a um dos nossos principais produtos turísticos, que são os trilhos pedestres”. O Secretário Regional do Turismo e Transportes salientou também que o Trail Run foi introduzido nos Açores “com este Governo e com a ajuda preciosa de todos aqueles que têm contribuído com o seu trabalho voluntário para o desenvolvimento desta actividade”.
Neste contexto, Vítor Fraga destacou o importante papel desempenhado por Mário Leal, da Azores Trail Run. O responsável governamental recordou que o ano passado foi o melhor de sempre para o sector que tutela. O arquipélago açoriano registou o maior aumento percentual de turistas e dormidas em 2015 (mais 24% de hóspedes e 20% de dormidas), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Vítor Fraga terminou a sua intervenção com o anúncio da segunda edição do Columbus Trail, em finais de fevereiro de 2017.
Até 2017 (ou antes)!
Classificação
77Km
RESULTADOS MASCULINOS
1-Tom Wagner (Salomon) 07:37:36
2-Luís Mota 08:01:11
3-José Fernández 08:35:59
RESULTADOS FEMININOS
1-Sónia Túbal (Monsanto Running Team) 10:29:27
2-Ana Duarte (Falcões Selvagens) 11:46:23
3-Carla Moreira (Team Famalicão) 13:16:36
42 kms
RESULTADOS MASCULINOS
1-Tom Owens (Salomon) 03:32:51
2-Cheraz Davide (Salomon) 03:39:58
3-Miguel Reis e Silva (Salomon) 03:47:31
RESULTADOS FEMININOS
1-Margarida Pereira (NPA/Gonçalo Velho) 05:42:12
2-Bo Irik (Correr na Cidade) 06:28:35
3-Patricia Gomes 06:36:38
Fontes: Secretaria Regional de Turismo e Transportes; Correr na Cidade
Fotos: EP
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