
O cantor português revela os segredos do novo disco “A tua voz é saudade”. O lançamento do projecto está previsto para 2016 e visa celebrar os 30 anos de carreira. O trabalho conta com a participação de vários convidados, como Luís Represas e Mafalda Arnauth, mas o músico confessa que sente emoção por voltar a cantar ao lado dos irmãos.
Quando vai sair o novo trabalho?
Pretendi festejar os meus 30 anos de carreira com o lançamento de um disco em 2016. Durante muitos anos estive ligado ao fado, mas depois fartei-me e comecei a cantar música ao vivo. O disco é um regresso às origens. Há um ano comecei a fazer apresentações do projecto. Convidei o Luís Represas, a pianista Olga Pratts, Mafalda Arnauth, Nôa e Silvestre Fonseca. Também participam a minha irmã Francisca, que se estreia, e os meus irmãos Gonçalo e Nuno, tendo sido com o último que me profissionalizei.
Como é a estrutura do CD?
O disco tem 14 temas, sendo que dez são cantados a solo e mais quatro duetos. A primeira música chama-se “A tua voz é saudade”, e termina com o tema “Trovante”. Queria comemorar os 30 anos com mais pessoas.
O que sente ao cantar com os seus irmãos?
Tenho enorme respeito por eles. É emotivo.
O concerto que lhe ficou na memória?
Aquele que fiz este ano no teatro Garcia de Resende em Évora, porque estava cheio devido à presença dos meus amigos e da minha professora na adolescência.
Quais foram os temas que gostou mais de tocar? E a personalidade?
A música “À Sombra da Lua” que abre o CD em 2002. O segundo gravado com o Rui Melo no tema “Por viver assim”. Em relação à pessoa foi a Mafalda Veiga nos Musicais onde cantámos a “Tatuagem”.
O fado ainda faz parte da vida dos portugueses?
O fado nunca deixou de ser importante, mesmo quando foi maltratado pelas elites porque quem o cantava era mal visto. O povo nunca o deixou morrer. Neste momento, está na moda por ser património imaterial da humanidade. Cada vez há mais pessoas a cantá-lo bem, além de existirem guitarristas de qualidade. O fado clássico continua-se a ouvir nas casas, como acontece em Alfama e na Mouraria. É uma música do mundo em constante evolução.
Qual a sua opinião relativamente à nova geração de fadistas?
Existem bons cantores como a Mariza, Camané, Ricardo Ribeiro, Carminho, Ana Moura, que abriram o fado a outra musicalidade. O aparecimento de novas vozes resulta do desenvolvimento do fado. Hoje em dia pode-se cantar quase tudo em fado.
Como se distingue o fado tradicional do moderno?
Existem três passos que são a pedra basilar do fado: corrido, mouraria e menor. Entre o corrido e o mouraria existe um cariz musical diferente. Os fados que foram apareceram são músicas cantados com guitarra portuguesa, o que dá uma sonoridade própria.
A memória de Amália ainda está presente nos portugueses?
Ninguém vai conseguir repetir o aparelho vocal de Amália Rodrigues.
Foto: DR