Associação quer candidatar Caminhos Reais da Madeira a Itinerário Cultural Europeu

Autor: Miguel Marote Henriques    Data: 27-03-2017
Publicado em: Cultura, Desporto, Madeira, Turismo

caminhos reais2A recém-constituída Associação do Caminho Real da Madeira pretende avançar com um processo destinado a obter a certificação como Itinerário Cultural Europeu para os seis percursos existentes na região.

“Caminho real”, ou “estrada real”, é a designação atribuída às antigas estradas que cruzavam a ilha em todas as direções. No arquipélago, estas vias terrestres construídas antes da implantação da República, surgiram, na sua maioria, por iniciativa dos governadores ou dos capitães-generais, funcionando como alternativa e complemento às ligações marítimas. Estas ‘estradas reais’ são exemplo da enorme dificuldade que foi construir uma ilha do nada.

Várias localidades na Madeira devem o seu crescimento e importância à sua integração nestas rotas de circulação terrestre, funcionando como pontos de apoio aos viajantes, sejam locais, comerciantes ou estrangeiros, que começaram a percorrer a ilha com particular significado a partir dos séculos XVIII/XIX.

O século XX trouxe o automóvel e uma rede viária moderna, que gradualmente levaram à perda de importância dos “caminhos reais”.  Atualmente, dos 28 percursos pedonais recomendados pelas autoridades (25 Madeira e três no Porto Santo), apenas 12 são em veredas e antigas “estradas reais”.

O Governo Regional iniciou, em 2015, o projeto de recuperação dos “caminhos reais”, com o objetivo de valorizar o património regional e aumentar a oferta de percursos pedonais. Este interesse mobiliza também as câmaras municipais. 

Para Miguel Gouveia, presidente da Associação do Caminho Real da Madeira, “O objetivo a médio prazo é certificar os Caminhos Reais da Madeira como Itinerário Cultural Europeu, para que consigamos ter uma exposição internacional nos principais roteiros turísticos, a exemplo dos Caminhos de Santiago, os Caminhos da Costa Vicentina ou os roteiros do Azeite e da Uva e do Vinho”. “Não existindo ainda nenhum destes itinerários culturais em meio insular, acho que temos todas as condições para poder, dentro de três a cinco anos, aspirar legitimamente a que os Caminhos Reais da Madeira sejam certificados”, acrescenta.

Para o responsável da Associação, estes percursos possuem uma enorme riqueza cultural, sendo testemunhos únicos da identidade insular dos madeirenses. Miguel Gouveia destaca o que circunda a ilha pelo litoral, ao longo de 181 km, por ser “um caminho que passa pelos dez concelhos da ilha e por 37 freguesias e acaba por mostrar, a quem o percorre, um pouco de toda a vivência da Madeira e a sua identidade”.

A Associação de Atletismo da Madeira (AARAM) organiza o Madeira Eco Ultra Maratona, evento de trail-running, que engloba um conjunto de quatro provas distintas disputadas maioritariamente junto ao litoral (Caminho Real nº23).  A AARAM tem também um projeto lúdico de promoção dos “caminhos reais” da Madeira, que está associado a este evento desportivo.

Sobre a Associação do Caminho Real da Madeira

A Associação do Caminho Real da Madeira, constituída formalmente no dia 17 de Fevereiro de 2017, tem como fim defender, valorizar e promover as rotas centenárias agregadoras do património histórico, etnográfico, cultural, arquitetónico e natural da Madeira, em contextos urbanos, rurais e florestais, através de atividades de caráter cultural, pedagógico, científico, desportivo, recreativo, social ou outras afins.

Fonte: ACRM