
Mafalda Arnauth é um dos nomes incontornáveis do “Novo Fado” e comemora vinte anos de carreira. A Excelência Portugal quis associar-se a esta data marcante e entrevistou-a.
A fadista portuguesa revelou o lado profissional, tendo confessado que ainda sente algum nervosismo antes dos espectáculos. Na entrevista garante que o fado já conquistou os mais novos e recorda Amália Rodrigues com saudade.

Os próximos projectos estão relacionados com o fado?
Não consigo fugir ao fado porque continuo a ter alma de fadista, mas também é importante experimentar outras coisas. O fado vai estar sempre presente na minha vida
Que recordações guarda de Amália Rodrigues?
Amália foi uma referência como pessoa por causa do lado humano. Teve carisma e originalidade, além da voz que tinha. Era uma pessoa fascinante.
Qual é a essência do fado?
A essência do fado é inspirada na vida quotidiana, no dia-a-dia das pessoas mais simples. Por essa razão é transversal e não tem classes sociais, géneros ou idade.
Qual a mensagem que pretende transmitir nas letras?
O meu fado é criado nessa vida porque sou observadora do mundo, dos outros e de mim própria. Estou em constante análise. Procuro transmitir às pessoas o melhor de mim, mas também dizer às pessoas que podem construir a vida com muito esforço e trabalho. Nós somos os motores das nossas vidas.
Qual é o seu público?
A fidelidade dos públicos também não é total por causa da oferta que existe. No entanto, o que mais impressiona nos concertos é a presença de crianças.
Qual a sua opinião relativamente à nova geração?
A nova geração tem um talento que conquista o público mais novo. Neste momento há grandes vozes. Houve um tempo de ausência. Desde o início do século houve um despertar do interesse por parte da nova geração em relação ao fado. Temos fado para durar.
Como prepara os espectáculos?
Os espectáculos são preparados com alguns dias de antecedência. Tenho os meus próprios horários para entrar no espírito. Gosto de cuidar a minha imagem. Também é necessário saber gerir o descanso.
Ainda sente nervosismo?
Sim, mas isso representa responsabilidade quando estamos no palco porque sentimos a emoção das pessoas na nossa voz. Não podemos encarar isso de forma leviana.
Fotos: DR