Não, a crise não acabou. Não, nem todos os problemas do país foram resolvidos. Mas não, não estamos pior. E, pelo menos no turismo português, o futuro é brilhante. Ora veja:
Os últimos anos de boom no Turismo já se fazem sentir ao nível do emprego. Há mais empresas no sector e o número de postos de trabalho não tem parado de aumentar.
As estatísticas do World Travel & Tourism Council (WTTC), atravessam 184 países e procura perceber o impacto económico da indústria do Turismo e Transportes nas várias economias a regiões – por exemplo, G20, aliança do Pacífico ou OCDE onde Portugal também se insere. A entidade salienta que o sector está a crescer a um ritmo superior ao das próprias economias há já cinco anos.
Segundo a organização, o turismo criou 284 milhões de empregos em todo o mundo e daqui a dez anos suportará 370 milhões. Em Portugal, daqui a dez anos, o sector poderá responder por mais de um milhão de empregos.
No final do ano passado, transportes e turismo eram responsáveis por 363 mil empregos: 7,9% do emprego em Portugal, de acordo com o WTTC. Em 2016, numa altura em que já se aponta para um novo ano de recorde, este organismo com mais de 25 anos, antevê que o número de pessoas empregadas nesta área possa subir para 441 mil (mais 4,6% do que o registado no ano passado).
A contribuição total será, no entanto, bem maior: 915 mil empregos suportados por esta indústria – 22% do emprego em Portugal repartido entre agências de viagens, hotéis, empresas de transporte (excepto transporte pendular), companhias aéreas, e negócios de lazer e entretenimento para turistas.
Portugal é, por isso, o 33º país onde o Turismo Viagens mais pesa para a criação de riqueza. Em 2015, o WTTC estima que o turismo e viagens tenham gerado 11,3 mil milhões de euros para o PIB (6,4% da riqueza). O valor, antecipam, deverá acelerar em 2016 para atingir 14,6 mil milhões.
Mesmo assim, Vítor Neto, antigo secretário de Estado do Turismo, e Presidente da Comissão Organizadora da Bolsa de Turismo de Lisboa, considera que hoje “não está a verificar-se mais investimento do que na década anterior. O que aconteceu é que o turismo urbano conheceu um crescimento muito forte”, especialmente “Lisboa e Porto que conheceram ritmos de crescimento mais elevados, por exemplo, que o Algarve”. Parece então que esta evolução tem estado a acontecer mesmo à nossa frente. Claro que estamos todos cientes da fama que o Algarve há muito tem, e que continua a ter. Mas parece também que são agora outras cidades, como Lisboa e Porto, que são também reconhecidas. As cidades onde tanto acontece e muito há para conhecer. Claramente há ainda muito por descobrir, e este crescimento do turismo demonstra-nos que há cada vez mais pessoas dispostas a fazê-lo.
E os dados são consistentes com as expectativas do sector: Depois dos conflitos no Norte da Europa e entre a Ucrânia e Rússia, Portugal poderá vir a beneficiar da instabilidade vivida no centro da Europa. Também o fluxo de turistas que até aqui procurava a Turquia poderá começar a olhar para destinos como Portugal ou Espanha, onde o clima é igualmente convidativo. Estamos perante uma situação que, embora seja lamentável, preocupante e desconcertante, os portugueses são capazes de manter-se fortes e receberem aqueles que procuram o lado positivo da vida. E “sempre que a procura aumenta, há necessidade de reforçar equipas. Este ano, no Algarve por exemplo, os operadores turísticos estão a reservar mais cedo e por mais tempo, indo além de Julho e Agosto. Isso significa que é possível estender a operação hoteleira, melhorar taxas de ocupação, e dessa forma, necessitaremos sempre de contratar pessoas”, explica Gonçalo Rebelo de Almeida administrador do Grupo Vila Galé.
A acompanhar o crescimento do sector está o investimento que, de acordo com os dados da WTTC, ascendeu a 2,4 mil milhões de euros em Portugal, no ano passado. Isto significa 8,9% do investimento feito em Portugal.
A Associação da Hotelaria de Portugal admite que ao longo deste ano possam abrir 29 novos hotéis. Mas, neste sector, há mais vida para além do número de aberturas. Há que planear reabilitações e remodelações de edifícios e negócios, cá, lá e em todo o lado. Claro que isto tem uma implicação óbvia: Investir e, geralmente, muito.
O desenvolvimento do produto e a inovação também têm grande foco. Talvez até com especial Nos transportes, por exemplo, a TAP leva a cabo uma nova reestruturação de frota na sua companhia principal: vai receber 53 novos aviões. E a TAP Express já começou a renovar a sua frota para receber aviões Embraer 190 e ATR 72.
O presidente da WTTC, David Scowsill, recorda a “natureza resiliente” do sector perante ataques terroristas, epidemias, variações cambiais e desafios geopolíticos como a questão dos refugiados. Espera-se que o sector cresça 3,5% em 2016.
O optimismo espalha-se, mas é o tipo de optimismo baseado em factos reais, em acontecimentos verídicos, em feitos conseguidos. E contra factos, não há argumentos. Claro que o país não está no seu melhor. Mas, neste momento, são poucos os países que o estão. Mas Portugal, não só não está no seu pior, como está a lutar por sucesso, lançando-se mundo fora, sem que saia realmente do sítio. Aproveitamos, da melhor forma, os recursos que nos são disponibilizados, e há aqueles que se esforçam para que o sucesso seja possível. O emprego sobe, o investimento também. A pouco e pouco reconstruímos o que se perdeu, e no futuro reergueremos a confiança que uma vez detivemos e que outros depositaram em nós. Porque o futuro começou ontem, e já estamos quase no amanhã, começar a lutar por um país melhor é uma missão a que muitos já se aliaram. Resta saber se todos o sabem.
Fontes: Dinheiro vivo, Revista Sábado, wttc.org
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