Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, abre ao público após obras de requalificação

Fotografia0141O Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, abre as suas portas ao público na próxima sexta-feira, a partir das 14.00 horas, após a inauguração das obras de requalificação deste monumento nacional. 

O presidente da Câmara de Elvas garante que o forte é “o maior perímetro fortificado do mundo” e que as autoridades quiseram “preservar a memória” nesta remodelação. O forte passa a ter várias funcionalidades além de captar turistas portugueses e espanhóis. O edil garantiu que a estrutura vai permitir a realização de “casamentos na capela, encontros de empresas, workshops, exposições, além de também estar pensado para acolher serviços educativos”.

O monumento foi reabilitado para ser considerado um dos espaços mais emblemáticos, apesar da vasta oferta que a cidade pode oferecer aos turistas em termos culturais.

A tecnologia também vai ajudar aqueles que não podem visitar algumas partes do monumento através de uma aplicação móvel. As estimativas apontam para 100 mil visitas durante 365 dias.

A reabilitação do monumento surge numa altura em que a cidade de Elvas integra o projecto Euro-cidades com a vizinha Badajoz para construir uma rede cultural cujo objectivo passa por agarrar os turistas durante vários dias na região. O responsável pelo município explica que “queremos ser um destino e não um local de visita temporário”.

A obra foi possível no âmbito do protocolo de transferência assinado entre a Autarquia e o Governo, em 2014, de cerca de 30 prédios militares, localizados em Elvas, do Estado para o município, sendo o Forte da Graça o mais emblemático.

A intervenção, orçada em cerca de 6,1 milhões de euros, vai ter uma segunda fase que se traduz na adaptação do mesmo para actividades culturais, que será também, alvo de candidatura a fundos comunitários.

Foto: DR

Nota Histórico-Artistica (in http://www.patrimoniocultural.pt/)

O Forte da Graça foi mandado construir por D. José I, no monte onde se encontrava a antiga capela de Nossa Senhora da Graça. O monte da Graça é um dos pontos mais altos da região, constituindo portanto um local de grande importância estratégica. Durante o cerco de Elvas (1658-1659), no contexto da Guerra da Restauração, o exército espanhol tomou o local e nele instalou uma posição de artilharia, a partir da qual atacou severamente a cidade. A situação repetiu-se em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), quando Elvas foi novamente sitiada. Finalmente, e logo em 1763, D. José I determinou a construção de uma fortaleza que permitisse completar o circuito defensivo da cidade. Do seu planeamento foi encarregado o Marechal Wilhelm von Schaumburg-Lippe, mais conhecido como Conde de Lippe, que viera de Inglaterra no ano anterior, para dirigir a defesa do reino.

    A ermida de Santa Maria da Graça foi destruída, tendo a imagem da Virgem que guardava transitado para a capela do forte, donde veio a desaparecer mais tarde com as invasões francesas. A obra foi muito exigente para a região, tendo nela trabalhado 3 a 4 mil homens, entre 1763 e 1792. O forte ficou de imediato conhecido como Forte de Lippe, e mais tarde, em 1777, por ordem de D. Maria I, por Forte de Nossa Senhora da Graça. A edificação resistiu ao ataque das tropas espanholas durante a Guerra das Laranjas (1801), e ao bombardeamento infligido pelas tropas francesas do general Soult, no contexto da Guerra Peninsular (1811).

      O forte é uma obra-prima da arquitectura militar europeia do século XVIII, tanto pela originalidade das soluções aí apresentadas, como pela sua monumentalidade. É constituído por três linhas de defesa. A obra mais exterior consta de um caminho coberto, defendido por canhoeiras, um hornaveque(do alemão hornwerk), composto por dois meios-baluartes ligados por uma cortina, e por um fosso seco, com 10 metros de largo. Segue-se uma estrutura quadrangular com 150 m de lado, com quatro baluartes nos vértices. Os panos de muralha, ou cortinas, são cobertos por revelins e rasgados pela porta principal, denominada Porta do Dragão, a Sul, e por “portas posteriores” ou poternas, protegidas por canhoeiras. Entre as cortinas e o segundo fosso desenvolvem-se inúmeras dependências, incluindo casernas e outras edificações. O reduto propriamente dito é uma torre de planta octogonal, com pisos abobadados, constando de capela no piso térreo e Casa do Governador nos pisos nobres. Por baixo da capela existe uma notável cisterna. O reduto é defendido por três ordens de baterias em casamatas, com canhoneiras. SML

      Nota: A Excelência Portugal efectuou visita ao Forte da Graça a convite da Câmara Municipal de Elvas