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A arte de fabricar chocalhos em Portugal foi considerada Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, pelo risco de deixar de existir.
É em terras alentejanas que o fabrico de chocalhos em Portugal tem maior destaque e expressão. Mas agora assumiu uma dimensão mundial ao ser classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente. A distinção foi aprovada, dia 1 de dezembro, pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial reunido na Namíbia.
A conquista desta distinção facilitará a preservação e protecção desta arte secular, apostando em medidas de salvaguarda e promoção da mesma.
A arte de fabricar chocalhos foi em tempo a grande actividade de muitos portugueses. Com o passar do tempo, a tradição perdeu-se e poucos são aqueles que ainda se dedicam a esta arte nacional. O perigo de desaparecimento desta arte foi uma das razões que levou a UNESCO a aprovar a candidatura portuguesa, em maio do ano passado.
O responsável pela candidatura, Paulo Lima, explicou ao Observador que dos 13 mestres chocalheiros existentes no país, maioritariamente no Alentejo, “nove têm mais de 70 anos e os outros têm entre 30 e 40 anos, mas nenhum tem aprendiz”. Esta candidatura foi organizada pelo Turismo do Alentejo, em parceria com a Câmara de Viana do Alentejo e Junta de Freguesia de Alcáçovas.
Quanto aos chocalhos, Paulo Lima explica tratarem-se de “uma espécie de GPS do gado que permite saber onde estão os animais”, acrescentando que se trata de algo que corresponde à identidade dos campos e do mundo rural português.
Nos Açores, António Ferreira da Costa, de 80 anos, é o último chocalheiro do arquipélago. Perante a classificação atribuída pela UNESCO, o resistente chocalheiro disse à agência Lusa que sentia um misto de “alegria e tristeza”. Considerou que “É uma alegria, porque é reconhecido, e torna-se triste, porque isto vai desaparecer no futuro, é certo”.
António Ferreira da Costa reside em Posto Santo, concelho de Angra de Heroísmo, na ilha Terceira e alberga, na sua casa, um “museu” com cerca de 700 chocalhos. A produzir chocalhos desde 1956, António Ferreira da Costa tem ensinado a arte a um dos netos.
A candidatura foi congratulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que relembrou que este foi o primeiro elemento inscrito por Portugal na Lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO que Necessita de Salvaguarda Urgente.
Recorde-se que já no ano passado Portugal tinha sido distinguido, com a classificação do Canto Alentejano como Património Cultural Imaterial da UNESCO.
Fontes: Observador e CM
Foto: Freguesia de Alcáçovas