El Huffington Post mostra um Portugal chique que muitos espanhóis desconhecem

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Portugal é cada vez mais conhecido e reconhecido. A sua beleza bastante ou pouco evidente, a sua longa história, orgulho de todos os portugueses, a sua imensa cultura e o povo que sempre se abriu ao exterior falam por si próprios. Desta vez, foi o “El Huffington Post”, edição espanhola do conceituado jornal online que decidiu dar a conhecer melhor o país que cada vez menos precisa de introdução.
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Existe um Portugal chique que não conhece. Se é um daqueles que pensa que Portugal deixa muito a desejar em termos de bom gosto e de estar na moda, tem que tentar novamente diz o jornalista Gonzalo Teúbal Rodriguez

“Cada vez conheço mais espanhóis que se aventuram para o desconhecido, e depois de terem percorrido metade do continente asiático e parte do estrangeiro (desde a Jordânia, passando pelo Vietnam ou Zanzibar, por exemplo), agora decidiram explorar o oeste e descobriram que há vida para além de Mérida”, acrescenta.

Neste artigo, o jornalista não se acanha para falar do que mais gosta em Portugal, mas também não esconde aquilo de que menos gosta quando o visita. É desta forma que se prepara para revelar alguns dos costumes e curiosidades mais chocantes, sabendo bem que possa vir a ser acusado de exagerar na sua caracterização. Ao que posso acrescentar que, há que admitir, qualquer um pode se deixar levar quando fala daquilo que sente.

“Há silêncio em todo o lado.” Identificando-nos como pessoas que falam baixo, surpreende-se ao saber que, perguntando aos portugueses se acham os espanhóis barulhentos, maior parte responde que apenas nos parecem engraçados e alegres. Interpreta a resposta como uma visão de olhar o “copo meio cheio”, pois não se deixa enganar pela realidade que conhece.

“Uma forma diferente de entender a condução.” O autor deste artigo defende que, por detrás do eufemismo, se esconde uma realidade quando se diz, em relação à condução dos portugueses: “Conduzem como loucos”. “Embora possa parecer que é de impulso que se pensa isto, começo a reparar que é um facto cultural. (…) Em Portugal ou se conduz com iniciativa, ou não se conduz.” Acrescenta que cá se age primeiro e só depois se olha e, uma vez entendendo isto e com um bom seguro, tudo é mais fácil.

“A maioria das praias não estão destruídas pela construção destravada.” Gonzalo Rodriguez refere que teve a oportunidade de ver praias que nunca acreditaria ver por estas bandas. Adjectivando as praias da costa do Atlântico como um luxo, sabe que há uma distinção clara entre as praias do Algarve e as restantes praias portuguesas, no entanto, não deixa de ignorar o encanto destas.

Fala ainda do facto de se ter surpreendido pela arquitectura dos prédios modernos, dos acabamentos feitos nas casas mais modestas, e nas varandas que são frequentemente avistadas. Não deixa de fazer um apontamento quanto à ocasional presença de um “aroma decadente” notado em algumas cidades, mas que qualquer viajante se encantará pelo nosso gosto de ter as coisas bem feitas e a elegância presente nos restaurantes e lojas.

“Os empregados de mesa podem demorar a servir”, o que, embora possa ser aborrecido, o jornalista defende que tudo é compensado pelo facto de haver uma simpatia generalizada e, mais importante, pela alta qualidade da comida que, segundo o autor, “satisfaz qualquer paladar”.

“Não há rastos de ´antispañolismo´”. Sabe que pelo facto de Portugal ter estado sob o poder espanhol, por estar em desvantagem geográfica, dado que é bem menor que Espanha, que sempre houve a sensação de que poderia ser feita uma invasão, fosse pelas armas ou culturalmente. No entanto, não deu pela presença de um comportamento cauteloso em relação aos espanhóis. “Se existir, não é visível”, escreve, defendendo a teoria de que os movimentos “ronaldistas e ikeristas”, também têm feito a sua parte para o apaziguamento dessa atitude.

Talvez seja pela nossa evolução e aumento do orgulho português, pelo reconhecimento ao valor que temos, que deixamos de nos sentir ameaçados pelo nosso país vizinho.

Este artigo, que partilha a experiência de um jornalista espanhol nas várias visitas feitas a Portugal, ao longo dos anos, termina com este a dar algumas pistas rápidas para os espanhóis aventureiros, e a qualquer outro a que chegue o seu testemunho:

  • “Não peça uma bica no Porto, ou um fino em Lisboa, mas sim o contrário.”
  • “É barato, mas não tanto.”
  • “Quase todos os Portugueses o vão entender enquanto falar espanhol, mas não vai entender quase nada quando ouvir falar português (muitos falam espanhol, e orgulham-se de o fazer).”
  • “Não se esqueça de experimentar o vinho local. Enquanto o tempo dos nossos pais que era difícil encontrar vinhos interessantes sobre. Há muito boa e certamente barato.”
  • “Se passar pela linha da fronteira, não perca as cidades fronteiriças de Espanha e Portugal, a partir de Tui para Olivença, Tavira, Sanlúcar de Guadiana e Alcoutim, para Aldea del Obispo ou Elvas, muitas destas com fortalezas que representam o medo que ambas as partes tinham.”

Apenas nos resta dizer de que aqueles que não sabem dos nossos tesouros, menos ou mais conhecidos, óbvios ou não tanto, é por demonstrações como esta que os espanhóis ou pessoas de qualquer outra nacionalidade vão passar a saber deles. Há então que os saber estimar, não só pelos outros, mas por nós também, já que são eles que formam o país em que vivemos e do qual nos devemos orgulhar.

 

 

Fonte: El Huffington Post
Fotos: DR